APCEP - Associação Portuguesa para a Cultura e Educação Permanente
Untitled Document
  • apcep.pt
  • apcep.pt
  • apcep.pt
  • apcep.pt
  • apcep.pt
 
Em comemoração do 20º aniversário da morte de Paulo Freire
 
A 2 de Maio de 1997, com 76 anos, falecia Paulo Freire. A APCEP, que pretende salvaguardar e promover a sua mensagem humanista, universalista e solidária, deixa aqui uma homenagem ao Homem e ao Educador, pelas palavras de Medeiros Braga, seu compatriota e autor de várias obras de “Literatura de Cordel”.
 

Das 16 páginas do folheto “Cordel ao Educador Paulo Freire” (Editora Queima-Bucha, queimabucha@uol.com.br), extraímos os seguintes excertos:

Paulo Regius Neves Freire
Era o seu nome completo,
Foi um revolucionário
Na política e no “alfabeto”
Que dedicou toda vida
Na formação do insurreto.
Nascido em Recife em mil
Novecentos e vinte e um
Entre síris, caranguejos
E pescadores de atum,
Teve ele a formação
Com o operário comum.
Mesmo formado em direito
Não seguiu na profissão,
Passando a desenvolver
De professor a lição
Dosada de ensinamentos
Com a conscientização.
Foi ele, assim, o primeiro
No universo educador
A pegar a aprendizagem
De perfil conservador
E transformar em instrumento
Popular, libertador.
Antes dele só havia
A lição do dominante,
Dirigida era a escola
Para manter o ignorante
Ao cabresto de um sistema
Desigual e degradante.
Tinha o mestre Paulo Freire
Grande sensibilidade,
Convivendo com a pobreza,
Sentindo a dificuldade, foi tomando consciência
Da cruel realidade.
Quer no campo ou na cidade
Via a miséria crescer,
Nos vales, mangues, mocambos,
Estava a prevalecer
A sentença que condena
O homem, sempre, a sofrer.
E Paulo Freire sentira
Que era justo mudar,
Mas, também, reconhecia
Que para isso se dar,
Toda ideia dominante
Tinha de modificar.
O seu método educativo
De conscientização
E de técnica utilizada
Pela alfabetização
Era o instrumento vital
Para uma libertação.
Educação que ensinasse
O homem a ler e escrever
Não apenas para votar
Ou pra riqueza crescer,
Mas, sobretudo, mostrar
Tudo em volta do poder.
Mostrar o mundo real,
No seu modo primitivo,
E o mundo justo, ideal,
Libertário, coletivo,
Para na luta atingir
O seu grande objetivo.
Além de conscientizar
Via aquele educador
Que, a partir da realidade
De cada trabalhador,
O rendimento escolar
Era mais transformador.
Para o mestre Paulo Freire,
Os problemas principais
Não são questões pedagógicas,
Mas são elas como tais
Questões políticas, que devem
Ser discutidas bem mais.
Para isso é necessário
Que haja democracia,
Que deixe o aluno a criar
A própria sabedoria,
Somando a prática vivida
Com alguma teoria.
Reconhece o educador,
Com franqueza e humildade
Que existe conhecimento
No mestre o comunidade,
Devendo cada aprender
Em cada oportunidade.
O trocar de experiência
Só resulta em mais valor,
Todos lucram com saber
No debate acolhedor…
O professor faz-se aluno
E o aluno, professor.
Assegura Paulo Freire
Pelo método que atina;
Pela participação
Na lição que descortina:
Ensinando se aprende
E aprendendo se ensina.
Relutante contra as forças
Gigantescas da opressão,
Animava Paulo Freire,
Causava satisfação,
Ver nascer no oprimido
Alguma indignação.
No entanto, justificava
O entusiasmo, o fervor,
Numa frase, retratando
Seu espírito lutador:
“Não podemos nós falar
De educação sem amor.”
Era a educação política,
Era a lição popular
Gerada ali na escola,
Comentada em cada lar,
O que levava mais alto
Todo oprimido a pensar.
O método Paulo Freire
Ganhava fama ao redor,
Legiões lhe copiavam
O que tinha de melhor
Nas lições educativas
Para o adulto e para o menor.
As coisas se aceleraram
Com João Goulart no poder,
A educação popular
Bem mais apoio pôde ter,
Camponês e operário
Puderam mais aprender.
Em Angicos, potiguar,
Educou com tais primores,
Em quarenta e cinco dias
Trezentos trabalhadores,
Despertando a atenção
De vários governadores.
Até mesmo o presidente
Denotando grande afeto
Convidou a Paulo Freire
Pra comandar um projeto
Visando alfabetizar
Dois milhões de analfabetos.
No entanto, esse programa
De educação popular,
No que pese a importância,
Não pôde se efetivar
Por ter sido suprimido
Por um golpe militar.
Pressionado, constante,
Por esse brutal concílio,
Negados todos direitos,
Barrado o menor auxílio,
Teve ele que sofrer
Dezesseis anos de exílio.
Enquanto o Brasil perdia
Esse grande professor
Ganhava o Chile, Argentina,
México, Peru, Equador,
Vários países da África
Com a lição do educador.
No continente africano
Chegou de mala e sacola
Em São Tomé, Cabo Verde,
Guiné-Bissau, em Angola,
Em Príncipe e em Moçambique
Pra melhorar sua escola.
Passados dezesseis anos
No mais cruel cativeiro
Se concedia a anistia
A todos do estrangeiro,
Podendo pisar o solo,
Sentir o ar brasileiro.
Pôde ele, então, ensinar
Em várias universidades,
Receoso, mas sentindo o clima de liberdade,
Chegou até a exercer
Diversas atividades.
Como grande educador
Teve a oportunidade
De implantar no país,
Em prol da sociedade,
Uma didática que cuida
De educar pra liberdade.
Das obras mais importantes
Que Paulo Freire escreveu
Estava a “Pedagogia
Do Oprimido” – o apogeu
Que deixaria sua marca
No continente europeu.
De Doutor Honoris Causa,
Por mérito, capacidade,
Recebeu ele de vinte
E sete universidades,
Bem como cidadania
Em dezenas de cidades.
Mas, em mil novecentos
E noventa e sete, a saber,
Em dois de maio, ele veio
De um infarto a morrer,
Abrindo grande lacuna
Aos carentes do aprender.
Hoje com o mundo curvado
À mentira e tirania,
Falta faz o método Freire
Que do povo é o melhor guia
Pra repartir o pão
À luz da democracia.
Os eu método consistente
Nos deixou transparecer
Que somente a educação
Política, por seu saber,
É capaz de destruir
Todos os males do poder.
O método de Paulo Freire
É como a parturação
Só que, ao invés de ter
A criança em sua mão
À luz do saber, em aula,
Nasce ali o cidadão.

 
 
 



Untitled Document
 
 
 
 
 
 
 

 

 
 
 
Untitled Document

© 2016 Copyright - Todos os direitos reservados à Associação Portuguesa para a Cultura e Educação Permanente | Webmaster: David Albino